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Cobrar ou negociar? Alta da inadimplência desafia empresas a rever estratégias de recuperação de crédito
Especialista aponta que atraso na reação à inadimplência continua sendo um dos principais fatores que reduzem as chances de recuperação dos valores
Fluxo de caixa pressionado, aumento da inadimplência, renegociações mais difíceis e necessidade de preservar liquidez vêm levando empresas brasileiras a rever suas estratégias de recuperação de crédito.
Em um cenário econômico marcado por custos elevados, desafios financeiros e maior cautela empresarial, recuperar valores em aberto deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ocupar espaço relevante na gestão de risco dos negócios.
Segundo Ingrid Teixeira, especialista em recuperação de crédito no Duarte Tonetti Advogados, diversas empresas ainda reagem tardiamente aos problemas de inadimplência, iniciando medidas de cobrança apenas quando as chances de recuperação já estão significativamente reduzidas.
“A recuperação de crédito não começa quando a dívida deixa de ser paga. Ela começa na estruturação da operação, com análise de risco, documentação adequada, definição de garantias e monitoramento da saúde financeira dos clientes. Empresas que conseguem identificar sinais de deterioração mais cedo tendem a ter mais alternativas para preservar seus recebíveis e reduzir perdas financeiras”, afirma.
De acordo com a especialista, a recuperação de crédito exige uma análise mais ampla do que simplesmente optar por medidas judiciais.
Entre os fatores que influenciam a viabilidade de recuperação estão a qualidade da documentação, a existência de garantias, o histórico da relação comercial, a capacidade financeira do devedor e a estratégia adotada diante do inadimplemento.
“A negociação costuma ser o caminho mais eficiente quando existe disposição para cumprimento da obrigação e viabilidade econômica para construção de um acordo. Já a judicialização se torna necessária quando há resistência ao pagamento, descumprimento de compromissos assumidos ou risco de comprometimento patrimonial. A decisão deve considerar a capacidade efetiva de recuperação do crédito e não apenas o valor da dívida”, explica.
Na avaliação da especialista, falhas de documentação e formalização continuam entre os principais obstáculos à recuperação de crédito nas empresas.
“A ausência de contratos formalizados, documentos incompletos e falhas nos registros das negociações continuam entre os principais entraves à recuperação de valores. Além de dificultar acordos, essas falhas podem comprometer a produção de provas e reduzir as chances de êxito em eventual cobrança judicial”, destaca.
Diante desse cenário, cresce também a busca empresarial por estratégias preventivas ligadas à análise de crédito, renegociação, monitoramento de pagamentos e mecanismos capazes de reduzir riscos futuros.
Para Ingrid, o tema tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos meses, especialmente diante das pressões econômicas enfrentadas por empresas de diferentes portes e setores.
“A recuperação de crédito deixou de ser apenas uma atividade de cobrança e passou a integrar a estratégia de gestão de risco das empresas. Em um ambiente de maior pressão financeira, preservar o fluxo de caixa e reduzir perdas tornou-se uma questão de sustentabilidade do negócio”, conclui.
Sobre a fonte:
Ingrid Teixeira é advogada da área de Recuperação de Crédito e Cobrança do Duarte Tonetti Advogados. Atua na recuperação de ativos, negociação de acordos e condução de estratégias de cobrança judicial e extrajudicial, assessorando empresas de diversos segmentos na redução da inadimplência e preservação de seus resultados financeiros.
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